Archive for the 'Pensamentos' Category

Jul 28 2008

Civilização de Especialistas

Publicado por Carlos Gil em Estudos, Pensamentos

A verdade é que hoje vivemos numa civilização de especialistas e que é vão todo o empenho de que seja de outro modo. Sob pena de não ser eficiente, o homem das artes, das ciências e das técnicas tem de se especializar, para que domine aqueles segredos de bibliografia ou de prática, e para que obtenha os jeitos e a forte concentração de pensamento que se tornam necessários para que se possa não só manejar o que se herdou mas acrescentar património para as gerações futuras. E, se é certo que por um lado o especialismo favorece aquela preguiça de ser homem que tanto encontramos no mundo, permite ele, por outro lado, aproveitar em tarefas úteis indivíduos que pouco brilhantes seriam no tratamento de conjuntos. O preço, porém, se tem naturalmente de pagar; paga-o o colectivo quando se queixa, e muito justamente, da falta de bons líderes, de homens com uma larga visão de conjunto, que saibam do trabalho de cada um o suficiente para o poderem dirigir e se tenham eles tornado especialistas na difícil arte de não ter especialidade própria senão essa mesma do plano, da previsão e do animar na batalha as tropas que, na maior parte das vezes, mal sabem por que se batem; paga-o o indivíduo quando, no cumprimento de uma missão fundamental para os destinos do mundo, se arrisca a ser político e sofre todos os habituais ataques dos especialistas de um ou outro campo que se não lembram de que o defeito para o político não é o de não ser técnico mas o de não ouvir os técnicos e não lhes dar em troca, a eles, o sentido largamente humano que tantas vezes lhes falta. E, mais grave, paga-o de um modo geral a própria natureza humana, que embora gostosamente embalando a sua preguiça nas delícias do especíalismo, sente ainda, mais fundo e constante, o remorso de o ser.

Ao certo, remorso de quê? Em que trai o homem, sendo especialista, a sua verdadeira missão de homem? Creio que em vários pontos. Um deles seria, por exemplo, no que respeita à fraternidade humana. Impedido pela especialização, pela compartimentação do saber, pelo emprego até de uma linguagem que se torna incompreensível para quem não andar exactamente pelos mesmos caminhos, de estabelecer relações com os outros em plano verdadeiramente elevado, o especialista tende ao ideal de uma civilização em que cada minhoca fosse paciente e forçadamente cavando a sua galeria, e daí em grande parte a sua reacção quase instintiva contra o político; daí a facilidade com que colabora em guerras e, dentro das guerras, em engenhos cada vez mais mortíferos e mais bárbaros, com a desculpa fácil de que a guerra é talvez fatal, talvez da natureza humana, e lhe não compete a ele senão olhar a sua retorta ou apertar o seu parafuso; daí o até agradecer, embora com um certo jeito de quem consente em extravagâncias, que a própria arte, que lhe poderia dar a chave das portas que o fecham, se tenha também tornado uma questão de especialistas. E só vem a ter alguma ideia do que seja fraternidade quando bebe, quando joga, ou quando, numa Humanidade em filas e às escuras, olha no cinema, através da mais simples das artes, homens não especialistas cumprindo, bem ou mal, a sua natureza humana.

Agostinho da Silva, in ‘Textos e Ensaios Filosóficos’

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Jun 29 2008

Sócrates pede à UE fundos para carro eléctrico

Publicado por Carlos Gil em Energias, Pensamentos

O Governo e a Nissan-Renault estão a negociar o investimento no desenvolvimento de tecnologia para carros eléctricos. Sem fundos europeus, o projecto pode ficar-se pelas intenções.
As duas partes estão a negociar investimentos em Portugal para investigação, desenvolvimento e produção de carros eléctricos, de componentes e infra-estruturas específicas.

A prioridade da Nissan-Renault, noticia o publico.pt, passa por encontrar parceiros europeus para desenvolver estes novos modelos. José Sócrates apelou à União Europeia que implantasse medidas excepcionais de incentivo aos carros eléctricos. «É altura de a Europa apostar nos carros eléctricos», propondo um «plano claro que dê mais autonomia sobre os preços do petróleo».

Também a Universidade do Minho, a Câmara de Guimarães, a DST e a Petrotec estão a preparar o lançamento de um veículo eléctrico que utiliza tecnologias da Ellbil Norge, uma empresa norueguesa.

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Out 31 2007

Símios Aperfeiçoados

Publicado por Carlos Gil em Pensamentos

É preciso viver em estado de prevenção. Não ir na enxurrada do colectivismo e morrer afogado num bairro económico ou numa colónia balnear, resistir às pressões políticas mirabolantes, quer sejam de uma banda ou de outra, manter a condição do homem-artista em luta com o homem-massa foi sempre o que em mim se tornou claro desde que aos poucos tomei posse da minha personalidade. Continue Reading »

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Out 26 2007

A Casa do Escritor

Publicado por Carlos Gil em Pensamentos

O escritor organiza-se no seu texto como em sua casa. Comporta-se nos seus pensamentos como faz com os seus papéis, livros, lápis, tapetes, que leva de um quarto para o outro, produzindo uma certa desrodem. Para ele, tornam-se peças de mobiliário em que se acomoda, com gosto ou desprazer. Continue Reading »

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Out 23 2007

A Ordem das Coisas

Publicado por Carlos Gil em Pensamentos

Natura deficit, fortuna mutatur, deus omnia cernit. A natureza trai-nos, a sorte muda, um deus vê do alto todas estas coisas. Apertava ao dedo a mesa de um anel onde, num dia de amargura, mandava gravar estas palavras tristes; ia mais longe no desengano, talvez na blasfémia; acabava por achar natural, senão justo, que devíamos perecer. Continue Reading »

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Out 19 2007

Existência, Corpo e Costumes, Como Eixos do Gosto

Publicado por Carlos Gil em Pensamentos

Na nossa actual maneira de ser, a nossa alma aprecia três tipos de prazer: aqueles que ela retira do próprio fundo da sua existência; outros que resultam da sua união com o corpo; e por fim, outros que radicam nos costumes e preconceitos que certas instituições, certos usos e certos hábitos lhe levam a apreciar.
São esses diferentes prazeres da nossa alma que constituem os objectos do gosto, como o belo, o bom, o agradável, o cândido, o delicado, o terno, o gracioso, o não sei o quê, o nobre, o grande, o sublime, o majestoso, etc. Por exemplo, quando sentimos prazer ao ver uma coisa que possui uma utilidade para nós, dizemos que ela é boa; quando sentimos prazer ao vê-la, sem dela abstrairmos uma utilidade manifesta, chamamo-la bela.

Baron de Montesquieu, in “Ensaio Sobre o Gosto”

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Out 15 2007

O Homem Primitivo Moderno

Publicado por Carlos Gil em Pensamentos

Reparai num homem civilizado, rico, inteligente e feliz; olhai-o bem; tirai-lhe o chapéu alto, o casaco, as botas de verniz; despi-o, enfim: vereis a miséria da carne tentando um feroz regresso às formas caricatas do orogotango inicial.
Ide mais longe; penetrai-lhe o esqueleto, atravessai-lhe as entranhas: vereis então a maior das pobrezas, a miséria absoluta, a ausência de alma.
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Out 11 2007

O Amor é a Mais Forte das Paixões

Publicado por Carlos Gil em Pensamentos

Por que é que gozamos com cada nova beleza que descobrimos no que amamos? Porque cada nova beleza nos dá a inteira e total satisfação de um desejo. Se a queremos sensível ela será sensível. Continue Reading »

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Out 03 2007

Os Caminhos Desapareceram da Alma Humana

Publicado por Carlos Gil em Pensamentos

Caminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. Continue Reading »

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Out 03 2007

Nada é Tão Fatigante Como a Indecisão

Publicado por Carlos Gil em Pensamentos

A fadiga (do homem da cidade) é devida a inquietações que poderiam ser evitadas por uma melhor filosofia da vida e um pouco mais de disciplina mental. A maior parte dos homens e mulheres não governam eficazmente os seus pensamentos. Quero com isto dizer que eles não podem deixar de pensar nos assuntos que os atormentam, mesmo quando nesse momento nenhuma solução lhes podem dar. Continue Reading »

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