Fev 20 2008

Rotulagem provoca choque entre UE e indústria alimentar

Publicado por Carlos Gil em 14:24 em Geral

A União Europeia (UE) e a indústria alimentar do continente estão em guerra. Apesar das pressões, a Comissão Europeia (CE) avançou com uma proposta de directiva que revoluciona a rotulagem dos produtos alimentares, obrigando a que na frente das embalagens estejam indicadas as quantidades de energia, açúcar, sal, gorduras, gorduras saturadas e hidratos de carbono.

O objectivo da proposta da Comissão Europeia, que terá ainda de ser aprovada pelo Parlamento Europeu e pelos ministros da Saúde dos 27 Estados membros, é combater o aumento de obesidade na UE, que, segundo da Organização Mundial de Saúde, mais do que triplicou desde a década de 1980. Só o número de crianças com excesso de peso passou de 14 milhões em 2005 para 22 milhões no ano passado.

“A proposta tem como propósito assegurar que os rótulos dos alimentos têm informação essencial de uma forma clara e legível, para que os cidadãos da UE tenham a possibilidade de fazer escolhas dietéticas equilibradas. Rótulos confusos, com demasiados itens e enganadores podem representar mais um obstáculo do que uma ajuda para o consumidor”, afirmou o comissário europeu para a Saúde, Markos Kyprianou, quando apresentou publicamente o plano, que foi além do inicialmente pensado pela CE, ao incluir os hidratos de carbono na lista de informações a indicar na frente das embalagens.

Uma alteração que irritou ainda mais a Confederação de Indústrias de Alimentação e Bebidas (CIAA, Confederation of Food and Drink Industries). “Os estudos sobre consumidores indicam que os consumidores querem informação simples e entendível num só olhar. A proposta da comissão… ignora completamente a necessidade dos consumidores para uma informação simples e falta-lhe flexibilidade para rótulos e embalagens mais pequenas”, afirmou a CIAA em comunicado.

Posição diferente tem o lobby europeu dos consumidores BEUC. “As organizações de consumidores de toda a Europa são unânimes pedindo uma rotulagem obrigatórios com os “oito grandes” [proteínas, gorduras, gorduras saturadas, açúcar, sal, hidratos de carbono, fibra e energia) mais as gorduras trans-saturadas”, afirmou a directora-geral da BEUC (a Food and Drug Administration, autoridade de segurança de alimentos e medicamentos dos EUA, já obriga à rotulagem das gorduras trans-saturadas, resultantes da hidrogenação das gorduras, que permite processar óleos vegetais em gordura sólida à temperatura ambiente, mas que constituem um risco significativo para a saúde, segundo indica o site da American Heart Association).

Kyprianou também foi criticado por ter deixado de fora da sua proposta as bebidas alcoólicas, mas o comissário defendeu-se dizendo que “o princípio está lá, mas é preciso trabalhar mais” [as bebidas alcoólicas com sabores também terão de indicar na frente das garrafas o seu valor energético]. “Voltaremos a este assunto”, garantiu.

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